Current Date:fevereiro 25, 2024

OFF ENTREVISTA: Conheça Catioro, o duo brasiliense que está inovando no rap

A dupla chega com o single "Raba"

Formado por Matheus Attiê (mais conhecido como XVs) e Pedro Senna, o duo Catioro começou a produzir seus próprios beats em 2018, se inspirando em artistas como Post Malone, Travis Scott, Haikaiss, Costa Gold, Matuê e Cacife Clandestino. Apesar de estarem começando agora no rap, os músicos já são conhecidos em Brasília por trabalhos anteriores.

Attiê é guitarrista e engenheiro de som da Dona Cislene, banda de rock em ascensão de Brasília e Senna era baterista da banda Pollares, fez parte da produção de “Brasil de Quem”, do MC Sid e da Batalha dos Amigos. Juntos, os artistas somam anos de experiência e reuniram toda sua expertise para criar o Catioro, que representa a paixão em comum pela música com um som malandro, debochado e cativante.

A faixa escolhida para dar início aos trabalhos de 2020 foi “Raba”, uma composição da dupla que conta com a direção artística e mixagem de André Nine, que já trabalhou com nomes como Um44k, Haikaiss, Negra Li e muitos outros. Confira nosso bate-papo com os meninos:


OFF: Vocês vieram de um estilo bem diferente do atual, o rock. Como vocês se conheceram e como surgiu essa união para trocar o famoso rock brasiliense pelo rap?

Pedro Senna: A gente se conheceu a partir de amigos em comum, como já estávamos no meio musical um caminho levou ao outro. Mesmo trabalhando com rock nós sempre gostamos do hip hop, do rap, então um desses amigos, o Ludovico, acabou ajudando e juntando nossas vontades.

Matheus Attiê: São estilos musicais totalmente diferentes mas não deixa de ser música, nossa paixão é a música e decidimos investir no rap porque era nosso gosto em comum, é o estilo que permite a gente ser mais livre, mais leve, mais divertido.

OFF: O hip hop e o trap não param de ganhar espaço no cenário da música brasiliense, como é pra vocês fazer parte disso?

PS: O rap e o trap são destaques no mundo inteiro, é uma música globalizada, você consegue misturar qualquer estilo com rap, e acho que é algo universal, a gente sai daqui e consegue fazer o mesmo tipo de trabalho no Uruguai, no Canadá, na Europa…e acaba virando uma mistura mesmo, a galera de fora está ouvindo muito trap latino e os brasileiros estão ouvindo sons com português de Portugal, rap italiano, rap espanhol, e pra gente, fazer parte disso é ótimo.

MA: Eu já trabalhei com rap há muitos anos, participava de batalhas há uns 12 anos, e agora voltar pra isso, para o estilo que eu sempre gostei, está sendo fantástico.

PS: Eu já estava começando a incluir o rap nos meus outros projetos, estava incluindo as batidas, comecei a ir pro lado da produção de rap e meu guitarrista também acompanhou isso e acabou todo mundo partindo pro rap. É uma história mundial, a história do Post Malone é bem parecida, ela tinha banda de rock também, era guitarrista, então está tudo meio ligado.

OFF: Trabalhar com rap e hip hop exige muita agilidade e criatividade, como é o processo de composição de vocês?

PS: A gente se tranca no estúdio durante três semanas, viramos várias noites, já temos mais de 120 fragmentos de musicas. A gente finaliza algumas, geralmente umas 10/12, leva para São Paulo, mostra pro Nine, grava umas duas músicas, e aí começa o trabalho. Depois a gente faz uma nova leva e vai aproveitando as que se sobressaíram para unir tudo em uma obra só, para um álbum futuro.

OFF: Vocês começaram super bem com o primeiro show no Estádio Mané Garrincha, no El Baile En Medellin, um festival grande. Contem um pouco sobre essa experiência.

PS: Foi muito importante, foi nosso primeiro show e nós temos história com o estádio Mané Garrincha então tornou tudo mais especial, acho que faz parte da nossa trajetória. É um dos maiores festivais de rap, acontece em várias cidades, eu fui na edição de São Paulo e vi que era algo gigantesco, que era uma energia incrível então conhecemos muita gente importante,

MA: A gente costuma dizer que foi o que colocou a gente na cena do rap de Brasília, porque a gente tava bem no começo ainda, o show aconteceu 15 dias depois do nosso primeiro lançamento e fomos muito bem recepcionados, todos os amigos que a gente tem hoje no cenário do rap, conhecemos nesse show.

OFF: Vocês se envolvem no trabalho do início ao fim, né? Composição, produção dos clipes, como foi pensado o single “Raba”

PS: “Raba” tem um toque especial, na letra, a gente usa referências dos nossos outros singles, então as histórias se complementam, é como se fosse uma autobiografia da nossa trajetória até agora (risos). O clipe foi gravado em uma festa de Brasília que chama Pavilhão Luz, é uma festa bem conhecida, sazonal, que acontece em um período determinado e só com grandes nomes, já participaram artistas como Ferrugem, Anitta, Ludmilla, Kevin O Chris… Nós recebemos o convite para a festa, conhecemos o local, o pessoal, e nós estávamos com a cabeça no clipe então quando chegamos lá pensamos “é aqui”.

MA: A gente queria trazer essa onda dançante de festa, pista, porque a música tem esse clima pra cima, então o evento casou com a ideia do clipe. Raba traz um pouco do pop, é um hip hop mais eclético então quisemos levar para as pistas.

OFF: Vocês A faixa conta com a direção artística e mixagem que já trabalhou com grandes nomes, falem um pouco sobre essa parceria entre vocês.

MA: O Nine é meu amigo há 10 anos, eu o conheci quando tinha 17 anos, na primeira vez que fui gravar em um estúdio grande, em São Paulo. Ele era estagiário nesse estúdio, era o primeiro dia dele lá também. E a amizade foi surgindo ali mesmo. Ele começou a produzir o Haikaiss, e eu comecei a acompanhar de perto os trabalhos dele, vi toda a produção do álbum do Haikaiss naquela época, e eu costumo dizer que foi nesse dia que eu entrei pro rap.

PS: O dinamismo conta bastante também né, o contato é mais fácil, trabalhando com amigos nós temos mais liberdade, rola algumas brincadeiras, na hora de dar os toques é mais fácil, mais liberal, sem receios, e os trabalhos vão surgindo de forma mais rápida, e a gente também confia muito no trabalho dele, na visão artística que ele tem, então a confiança conta muito e faz total diferença.

OFF: Quais são as referências de vocês? Tanto nacional quanto internacional.

MA: Eu sou mais do rap old school mesmo, dos anos 90, escuto muito Racionais MC e o Senna gosta da parte mais nova do rap então acho que a gente se conecta e se equilibra bem com isso.

PS: É, minhas referências são Matuê, Post Malone e Travis Scott.

OFF: Há planos para realizarem um feat com algum rapper ou até mesmo com algum artista de outro gênero musical?

PS: Já temos alguns feats com um pessoal do rap de Brasília e estamos começando a produzir um feat com uma galera maior, mas não podemos falar muito ainda, é surpresa, Não podemos entrar em muitos detalhes

OFF: Qual é o grande diferencial do Catioro, qual marca vocês querem deixar no mercado musical?

PS: Nosso diferencial é que a gente trabalha com e como amigos, e essa é a marca, que a gente quer deixar, da amizade. Acho que essa é a melhor maneira e trabalhar, de prosperar em parceira, queremos viver de música mesmo, é o que a gente manda, e nos aproximar das pessoas boas.

MA: A gente quer levar esse lado leve da vida também, tem tanta coisa ruim acontecendo ultimamente, queremos melhorar um pouco as coisas.

OFF: Quais são os próximos passos para esse ano?

MA: A ideia é lançar bastante single, depois de Raba, temos mais um engatilhado que já estamos pensando em clipe, deve sair no próximo mês já.

PS: Já temos show fechado pra vender, a partir do mês de abril. No nosso ranking de público está: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e por último Brasília, então a gente quer trabalhar bastante aqui e crescer cada vez mais pela região e também para outras cidades, claro.

MA: Queremos analisar o público e ver a quantidade de pessoas que realmente vai nos shows e trabalhando bem essas principais cidades onde as pessoas curtem o nosso som, já é uma maneira de ter essas respostas.


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