Current Date:maio 21, 2024

OFF ENTREVISTA: Milky Chance fala sobre seu novo disco “Mind The Moon”, identidade musical, carreira e planos de retornar ao Brasil

Na última sexta-feira (15), Milky Chance lançou seu mais novo álbum, Mind The Moon. O terceiro disco da carreira do duo alemão, formado por Clemens Rehbein e Philipp Dausch, sucede Sadnecessary (2013) e Blossom (2017). O atual projeto da dupla de amigos de colégio conta com 12 faixas, incluindo os singles Daydreaming, The Game, Fado e Rush, além de colaborações com Témé Tan, Tash Sultana e Ladysmith Black Mambazo.

Formada em 2012, a banda se destaca por sua personalidade musical única, uma mistura de folk, indie com pop, e ganhou reconhecimento mundial com Stolen Dance no ano posterior. O hit ultrapassa a marca de meio bilhão de visualizações no Youtube, disparou nas paradas e conquistou o primeiro lugar em países como França, Áustria, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, e se tornou uma das canções mais procuradas no Shazam da história.

Com uma discografia marcante, um público fiel, indicações em premiações como 1Live Krone, MTV Europe Music Awards e European Border Breakers Awards, turnês e performances em diversos festivais do mundo — incluindo no Lollapalooza Brasil 2018 — na bagagem. Agora, Milky Chance dá início a mais um capítulo em sua história com Mind The Moon. Recentemente, conversamos com Philipp Dausch, DJ e produtor da banda, sobre o novo trabalho, influências musicais, carreira e uma possível vinda ao Brasil futuramente.


OFF: Vocês estão com álbum novo, Mind The Moon foi lançado na última sexta-feira (15). Como foi a produção e o processo criativo desse disco?

Philipp Dausch: Nós começamos a produzir em janeiro. Primeiro paramos de fazer a última turnê em outubro de 2018 e tiramos um ano fora, basicamente tiramos uma grande folga já que não fazíamos uma pausa há muito tempo. Depois começamos a escrever e estivemos primeiro pelo estúdio que construímos em Kassel, pois queríamos passar um período em casa e ali tudo começou. Em seguida, fomos para a Itália e para a Austrália escrever algumas das colaborações como a da Tash Sultana e também viajamos para a Noruega e Berlim. Portanto, todo a produção do disco teve muito mais espaço, foi mais tranquila e também sentimos que foi muito melhor. O último álbum foi criado durante um período estressante, nós estávamos em turnê e tivemos menos tempo. Dessa vez, a gente teve muito mais liberdade e espaço para criar as músicas, foi um processo criativo de duração mais longa para tudo e para as colaborações. Nós fizemos parcerias com Tash Sultana, também gravamos uma música com Ladysmith Black Mambazo, um coral da África do Sul, que conhecemos no ensino médio quando nos apresentaram o trabalho deles e isso meio que despertou a vontade de fazer uma parceria, então pensamos “vamos perguntar!”, e deu certo, foi incrível! Além disso, há uma música com o Témé Tan, que é nosso amigo, conhecemos ele durante uma tour há uns cinco anos e mantivemos contato, conversamos com ele para saber se haveria a disponibilidade para fazer uma faixa com a gente, o Témé topou, veio para Kassel, e assim criamos Rush. E assim foi feito esse novo álbum e nós estamos muito, muito, muito felizes!

OFF: Anteriormente, vocês lançaram alguns singles desse novo projeto. O que o público pode notar de diferente ao escutar o álbum inteiro? O que vocês trazem de novo?

PD: Eu acho que esse novo álbum mostra muito bem a diversidade, ela pode ser ouvida nas músicas, dá para perceber a presença de todos os tipos. Creio que trabalhamos muito bem para trazer essa pluralidade e mostrar todos os diferentes gêneros. Penso que você consegue ouvir o hip-hop, o reggae, você consegue sentir essa vibe techno e melancólica, também buscamos reproduzir esse lado do violão que não é do country, mas é do folk. Então acredito que esse disco é a melhor versão da nossa música e que conseguimos expressar isso, é perceptível.

OFF: Eu acabei de ouvir o disco e ele é ótimo! Quais são as diferenças entre o Mind the Moon e os álbuns anteriores, Sadnecessary e Blossom?

PD: Primeiro de tudo é que esse é o melhor disco (risos). Mas Sadnecessary foi muito minimalista e simples, depois Blossom foi o oposto disso, nós fizemos ele um pouco mais ornamentado, não era muito eletrônico quanto o primeiro, foi mais analógico, mais instrumental, portanto foi um projeto meio artesanal. E com Mind The Moon a gente tentou voltar um pouquinho para o Sadnecessary, retornar para o minimalismo e para essa influência techno, para o estilo eletrônico, essa é uma musicalidade melhor. Então, como disse, trabalhamos para trazer e mostrar isso de novo e trouxemos esses acordes que amamos. Acredito que conseguimos juntar o melhor dos dois mundos nesse álbum.

OFF: E como está a expectativa de vocês para divulgar esse terceiro álbum para o mundo?

PD: Sim! Nós estamos muito animados! Estamos sentindo um pouco de tudo, empolgados, ansiosos, loucos porque nós amamos essas músicas, depositamos muito tempo criando elas, depois fizemos uma pausa, treinamos bastante. E agora ouvimos tudo de novo antes do lançamento e é como se todo esse tempo de produção voltasse a nossa cabeça, isso é empolgante. Agora realmente é o momento de compartilhar elas, então é um período muito emocionante.

OFF: Vocês vão começar a Mind The Moon Tour em breve, no próximo ano. Como estão os preparativos para essa nova turnê? Pretendem passar pelo Brasil? Seus fãs amariam!

PD: Nós ensaiamos mais do que nunca. Começamos a nos preparar cedo, há alguns meses. Treinamos e ensaiamos muito, a gente está trazendo um novo show, é uma nova turnê, penso que nós estamos muito mais preparados do que nunca. Também fizemos turnês por mais de seis, sete anos, então acredito que agora somos uma banda muito melhor do que éramos a alguns anos atrás. Nós estamos bem prontos para a tour e estamos bastante animados. E esperamos ir para o Brasil no ano que vem, esse é o nosso plano.

OFF: Qual é a faixa favorita de vocês desse novo álbum e por quê?

PD: Hmmm, é meio engraçado, mas eu diria que é o álbum inteiro, acho que nós dois podemos dizer isso. Mind The Moon é o nosso disco favorito entre todos que já fizemos, a gente ama todas as faixas, então é realmente todo o álbum, ele é muito especial para nós. Acreditamos que esse é o nosso melhor trabalho.

OFF: A música do Milky Chance é marcada por muita personalidade, quais são as suas influências? Que tipos de música ajudaram para a construção da identidade sonora da banda?

PD: A nossa identidade veio de um monte de coisas diferentes e acredito que também veio de algo da nossa geração. Nós somos essa geração da cultura online, da internet e de estar conectado, através disso nós conseguimos ouvir todos os tipos de música, temos acesso a tantas sonoridades diferentes. A nossa música vem do reggae ao hip-hop, do techno ao folk, do coro africano à música clássica, ao country. Eu amo blues, jazz, gosto de Ray Charles, também curto Bob Marley, James Blake, então há um pouco de tudo que existe por aí. Eu penso que a gente só tem que adorar e amar a boa música, não importa de onde ela venha.

OFF: Vocês já tocaram em muitos festivais, inclusive vieram ao Brasil ano passado para o Lollapalooza. Guardam alguma lembrança boa daqui?

PD: A gente com certeza tem ótimas memórias do tempo que passamos no Brasil! E também na América do Sul em geral. É um lugar muito incrível e definitivamente bastante inspirador, assim como a sua sonoridade. A música que escutamos aí, o carinho e afeto das pessoas, tudo isso foi estimulante. Nós fomos embora nos sentindo muito inspirados, então sem dúvidas queremos voltar!

OFF: Não posso deixar de perguntar sobre o hit mundial de vocês, Stolen Dance, que tem certificados, milhões de views e streams. Qual é a sensação de ter um grande hit logo no início da carreira?

PD: Uau! É uma maldição e uma benção. Por um lado sem Stolen Dance nós provavelmente não estaríamos no lugar onde estamos. Claro que chegar a esse nível era uma meta e essa música obviamente nos ajudou. Mas agora, por outro lado achamos que às vezes as pessoas enxergam Stolen Dance e Milky Chance como uma coisa só, confundem e não percebem que somos mais que apenas uma música. Porém a gente ainda se sente muito sortudo por isso e temos muito respeito por tudo que aconteceu.

OFF: Além da turnê e do novo disco, o que podemos esperar de vocês no futuro?

PD: Nós vamos fazer muitos shows da turnê, então vamos estar bastante ao vivo no palco e iremos para muitos lugares. Também pretendemos fazer mais música, imagino que queremos continuar criando e lançando elas. Sendo assim, nós vamos promover, divulgar esse álbum agora, porém também desejamos produzir ainda mais e dar continuidade ao nosso trabalho, planejamos continuar fazendo shows, criando e liberando várias canções por aí.

OFF: Sempre terminamos as nossas entrevistas com um recado para o público. Você pode mandar um recado para os fãs brasileiros de Milky Chance?

PD: Olá todo mundo! Nós estamos muito felizes de poder mostrar e compartilhar esse novo álbum com vocês! Também estamos bastante ansiosos para voltar ao Brasil e para a América do Sul, queremos estar aí tocando, partilhando e curtindo a nossa música com vocês! Estamos muito contentes mesmo!   


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Reportagem: Victória Lopes