Current Date:junho 25, 2021

Rafael Silva, de “9-1-1: Lone Star”, fala sobre representar comunidades na série, Tarlos e o poder dos fãs

A representação Latina LGBTQIA+ no mundo do entretenimento é um tópico extremamente importante e que deve ser falado sempre que possível. É graças a artistas e personagens dessas comunidades que muitas pessoas se sentem representadas e vistas no mundo. E um dos representantes de ambas as comunidades, que tem ganhado seu espaço na tv e nos holofotes ao falar de causas importantes, sua trajetória como um ator latino homossexual, seu trabalho na série 9-1-1: Lone Star e os fãs de Tarlos (Carlos e TK), apelido carinhosamente dado ao casal formado na série por ele e o ator Ronen Rubinstein, é o ator brasileiro Rafael Silva.

Rafael nasceu em Minas Gerais, Belo Horizonte, e aos 13 anos se mudou para os Estados Unidos com a família. Começou a fazer aulas de teatro no colegial para conseguir desbloquear a dificuldade que tinha em falar em público, algo que o assombrou por muitos anos durante a escola. Depois de passar por alguns obstáculos, ganhar confiança, participar de alguns curtas-metragens, ter uma breve passagem em uma série da emissora americana CBS e fazer vários testes em 2019, o ator conseguiu o papel de Carlos Reyes, um policial na série 9-1-1: Lone Star.

Em uma entrevista para a edição mais recente da revista GAY TIMES, Rafael falou sobre a série, que é uma das grandes criações de um nome muito conhecido no mundo da tv e de séries de grandes nomes, Ryan Murphy, “Lone Star mostra mais a realidade do que um estereótipo perpetuado de cada pessoa, de personagens gays, transexuais, de pessoas muçulmanas e até da cultura Texana. Tem ressoado com muitas pessoas porque perpetua como o mundo realmente é hoje em dia, e como sempre foi.”.

Reprodução: Gay Times/Nathalia Vieira

A série tem sido um grande sucesso e foi renovada para sua terceira temporada, que será transmitida a partir do começo do ano que vem. E não é apenas a série que virou um sucesso entre os fãs, mas também o casal que o personagem de Rafael, Carlos, faz com Tyler Kennedy “TK” Strand, personagem do ator e amigo de Rafael, Ronen Rubinstein. Tarlos é um dos casais mais amados pelos fãs nas redes sociais, que criam fanfics, vídeos com os melhores momentos e que chegaram a criar uma tag no Twitter, “Tarlos Tuesday”, onde declaram seu amor e admiração não apenas pelo casal e sua trajetória mas também pelo carinho e amor que os atores tem por seus personagens e pelo casal. Rafael admite que ficou surpreso com a criatividade dos fãs.

“Uma coisa que realmente me surpreendeu foi como os fãs são apaixonados em escrever histórias, situações e ideias relativamente longas. Eu sempre reajo com um ‘Meu Deus, se algum dia nós tivermos que procurar novos roteiristas para Tarlos, a gente só precisa ir para o Tumblr ou Twitter!’. Essa foi uma das coisas que mais se destacou para mim, como eles são apaixonados e como eles realmente apoiam. O desejo que eles tem em ver o casal fazer sucesso e dar certo, isso diz muito.”

Mas, apesar de fazer um grande sucesso com seu personagem e com o casal que ele interpreta com Rubinstein, o ator não aceita o crédito pelo sucesso e passa todo ele para quem, muito antes dele, abriu caminho para os direitos da comunidade LGBTQIA+ e para os criadores de conteúdo que não desistiram em fazer possível o amor queer ser visto e transmitido na televisão.

“Esse amor e representação que vem junto com o fato de poder ser gay na indústria, interpretando um personagem LGBTQIA+ e ser amado pelo seu trabalho e por quem você é, é algo que você não pode dar os créditos a si mesmo. Eu não posso receber os créditos de ter feito isso porque eu não fiz. Tem sido um longo caminho para conquistar esse tipo de aceitação, não só dentro mas fora das telas. Todo esse trabalho aconteceu fora das telas Vem desde sempre até agora. Eu me sinto extremamente sortudo.”

Reprodução: Gay Times/Nathalia Vieira

E ao interpretar Carlos, Silva pode ver em primeira mão o impacto que seu personagem teve em muitas comunidades que ele representa, indo da LGBTQIA+, passando pela comunidade Latina e chegando até mesmo na comunidade Texana. Mas demorou para o ator ver isso acontecer, já que assim que ele conseguiu o papel do policial Carlos Reyes na série as gravações começaram quase que de imediato, e como 9-1-1: Lone Star ´é seu primeiro trabalho mais consistente Rafael focou mais em fazê-lo da melhor maneira possível. Mas não demorou muito para que ele fosse inundado de mensagens da audiência e de fãs e percebesse o impacto de um personagem como o seu em uma série do horário nobre, e como sua história estava ressoando em pessoas do mundo todo.

“Eu já estava tratando meu trabalho com o respeito e dignidade que merecia, mas é um outro nível nos dias de hoje com as redes sociais e a tecnologia, onde você pode mandar uma mensagem para uma pessoa que você admira e torcer para que ela veja. Eu vejo todas elas. Não consigo responder todas porque são muitas, mas eu sou honestamente grato. Eu aprecio muito as pessoas que mandam mensagem agradecendo porque eu me sinto igualmente grato em saber que essas comunidades se veem representadas sem eu tentar fazer com que elas sejam vistas. Eu não estou representando um policial gay. Esse é meu ponto de vista como ator, sabe? Eu não estou representando um policial gay Texano ou um gay Latino sei lá o que, estou apenas representando uma pessoa. E acaba que ele é todas essas coisas, coisas lindas.”

Reprodução: Gay Times/Nathalia Vieira

Para finalizar a matéria Rafael disse que deseja sim ver um casamento entre Carlos e TK, para assim eles virarem Sr. e Sr. Strand-Reyes, algo que os fãs não escondem a vontade de ver na série. E algo que ele definitivamente não quer ver é um final triste para o casal. “Sempre que tem um casal como Tarlos, que se conhecem e se apaixonam, tem uma tragédia. Tem sempre esse estigma que não importa o quanto você lute para estar apaixonado, para seu direito existir, de ser visto, uma vez que você atinge essas coisas e se apaixona, eles decidem que uma das pessoas do casal vai morrer”. O ator questiona o que essas histórias ensinam aos pais que não sabem como é ter um filho ou filha que é LGBTQIA+ ? Ele continua, falando que isso só mostra, para quem faz parte da comunidade, que eles não terão um final feliz, mas que quando você é apresentado para a oportunidade onde você tem a chance de criar uma história em que os personagens existem em uma vida boa e positiva, você dá a essas pessoas a chance de sonhar, ter esperança e querer ser quem são.

Tanto Rafael quanto Ronen estão, com toda certeza, dando voz e lugar para muitas pessoas mundo afora e vão continuar esse trabalho tanto na série quanto fora dela. Se depender dos dois, as comunidades que representam sempre estarão presentes de alguma forma em seus trabalhos, provando que todo mundo merece um final feliz e que todas as comunidades devem ser tratadas dentro e fora das telas com muito respeito.